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Dizem que o mundo vai acabar em 2012, ano que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense se despede da casa onde se consagrou em grandes conquistas. Na visão dos maias, uma era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes, apenas os fatos cotidianos que podem ser bons ou maus – muito mais maus – nos matando lentamente. Portanto, na verdade, o mundo só vai acabar se a humanidade fizer um esforço descomunal para consumar o fim. Para os mais dramáticos e nóstalgicos, o término da Era Olímpico não deixa de ser um fim do mundo. Um fim que também é o começo de um novo.

Fim dos tempos | Foto: Richard Ducker

O ano inicia promissor para o futebol do clube, pelo menos em relação às temporadas anteriores desta década vazia. O maior trunfo, marketing e motivação para 2012, no entanto, é o velho Monumental. É tarefa primária e fundamental honrar as histórias do Olímpico. O que move este blog é a curiosidade em acompanhar o saudosismo – ou falta dele – tomar conta dos gremistas; de falar das agitações na imediação da Dona Cecília com José de Alencar; de observar os comerciários ambulantes e os bares do Largo dos Campeões; falar dos personagens de cada jogo, das vitórias e das derrotas deste derradeiro ano.

O pretensioso objetivo da série de textos é tentar desvendar, através dos torcedores anônimos e das tantas partidas disputadas naquele gramado, a alma do Olímpico.

Em 2012, o Notas Futebolísticas dá continuidade a série apresentando personagens míticos e importantes para a história do esporte nacional. Perácio teve em sua trajetória peripécias dignas de serem relembradas. O texto é de Maurício Targino.

Estádio de São Januário, 22 de janeiro de 1939. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Brasil e Argentina se enfrentavam pela Copa Roca. O jogo está empatado em 2 a 2 e o árbitro (brasileiro) Carlos de Oliveira Monteiro, vulgo Tijolo, marca pênalti a favor do Brasil.

Claro que ia dar confusão. E deu. Os hermanos partiram para cima do árbitro e a polícia agiu, previsivelmente, na base da porrada, obrigando os argentinos a ir para os vestiários.

A partida não foi encerrada e o pênalti foi mantido. Perácio foi para a cobrança, não sem antes ouvir a recomendação do técnico Carlito Rocha, aquele mesmo que mais tarde ficaria conhecido como o folclórico presidente do Botafogo, pedindo que cobrasse bem no cantinho.

“Mas Seo Carlito, o gol está vazio.”
“Não interessa, chuta no cantinho.”

Ao se preparar para a cobrança, Perácio ouve a torcida berrar:

“Devagar, Perácio, e no meio”.

Perácio cobrou tão devagar que quase teve que correr e soprar para que a bola passasse a linha fatal.

Um “causo” desses já colocaria José Perácio em qualquer antologia de jogadores folclóricos. Ainda mais por ele, um ano antes, ter quebrado o braço do goleiro Planicka da Tchecoslováquia com um chute.

Não, Perácio não era um precursor de Almir Pernambuquinho ou Serginho Chulapa. É que nas quartas-de-final da Copa de 1938, Perácio acertou um petardo, que Planicka, ao tentar defender, chocou-se com a trave, quebrando o braço e a clavícula.

E tem ainda mais histórias envolvendo Perácio. Na viagem da delegação brasileira que disputaria a Copa de 1938, Perácio passava horas no convés com um binóculo. Queria ver a linha do Equador bem de pertinho.

Perácio também tinha o estranho hábito de estacionar seu carro, um Packard, próximo ao estádio e ligar o rádio no volume máximo para poder ouvir o locutor gritar “gol de Perácio”. Só que além de à época os rádios de automóveis não serem tão potentes, ele também fechava os vidros. Ou seja, tudo o que Perácio conseguia era que a bateria do Packard arriasse.

“Causos” à parte, José Perácio Berjun foi um dos maiores jogadores brasileiros da época de transição do amadorismo para o profissionalismo. Nascido em 02 de novembro de 1917, em Nova Lima, Minas Gerais, Perácio começou a carreira em 1932, no Villa Nova, com apenas quinze anos. No ano seguinte, foi campeão mineiro, feito repetido em 1934 e 1935. Jogou mais um ano no clube mineiro até se transferir em 1937 para o Botafogo, clube do seu coração, onde jogou até 1940 e se tornou um dos maiores ídolos da história do alvinegro carioca.

Como vários ídolos da história do Botafogo, como por exemplo Heleno de Freitas, Perácio não conquistou títulos pelo clube da estrela solitária. Mas jogou sua única Copa do Mundo (1938, onde marcou dois gols no eletrizante 6×5 na estréia contra a Polônia e mais um nos 4×2 contra a Suécia, na decisão de terceiro lugar) como jogador do Botafogo.

Em 1941, transferiu-se para o rival Flamengo e conquistou o tricampeonato carioca de 1942-43-44. E como torcedor botafoguense adora uma coincidência (de preferência trágica), a situação é um tanto parecida com Heleno, que foi tetra vice-carioca de 1944 a 1947 com o Botafogo, foi para o Boca Juniors em 1948 e o Bota foi campeão. Heleno voltou ao Rio em 1949 e foi campeão carioca. Pelo Vasco.

Em 1944, Perácio lutou na Segunda Guerra Mundial, pela Força Expedicionária Brasileira (FEB). Com o fim da guerra, voltou ao Flamengo, onde ficou até 1949, quando se transferiu para o modesto Canto do Rio, jogando as temporadas de 1950 e 1951, quando encerrou a carreira.

Numa época em que os meio-campistas não jogavam em velocidade e pouco encostavam no ataque (já que se jogava com quatro ou cinco atacantes), Perácio, meia-esquerda, se destacou por marcar muitos gols. João Saldanha explica:

“É que ele representa uma nova etapa do futebol: a do profissionalismo, onde o jogador não é apenas um futebolista na acepção da palavra, mas um futebolista e atleta, formado em toda a extensão.”

Perácio morreu na capital carioca em 10 de março de 1977, aos 59 anos. Mesmo sendo veloz e dono de um fôlego invejável em sua época de jogador, Perácio era fumante inveterado. E um cigarro rendeu a sua melhor e mais conhecida história: Perácio pára seu Packard no posto de gasolina. Junto a ele, está Martim Silveira, companheiro de Botafogo. Enquanto o carro é abastecido, Perácio, ao lado da bomba, acende um cigarro. Martim se desespera e pede que Perácio, pelo amor de Deus, apague o cigarro. A resposta, ingênua, se tornou nada menos que uma das maiores tiradas da história da humanidade:

“Desculpa Martim, não sabia que você era supersticioso.”

Por Maurício Targino

Ah, ano novo


Antes que o mundo acabe: Feliz 2012!
Crédito: Shaun Boterill/FIFA

*Por Alexandre Perin

AVISO: qualquer coincidência é mera semelhança

Planeta Terra, ano de 2022. Era uma vez um país chamado Nova Caledônia. Neste país, o esporte mais popular era o rúgbi mas ninguém ficava rico: atletas, clubes, patrocinadores por décadas formaram uma elite tradicional, com grande talento mas sem poder financeiro. Por isto, os melhores atletas iam jogar na vizinha Nova Zelândia, com salários bem maiores. Os clubes neocaledônios ganhavam dinheiro nas transferências.

Com o passar dos anos, os times da Nova Caledônia criaram ‘parcerias’ com empresas do exterior, normalmente da China, e gastaram milhões em jogadores e salários. Porém uma crise econômica, lá pelos idos de 2001/2002 acabou com todos estes investimentos. Os times locais, repentinamente empobrecidos, ficaram com atletas milionários e contratos longos, mas com receitas insuficientes. Isto quase levou a maioria deles perto da falência. Um perdão fiscal do governo da Nova Caledônia resolveu boa parte dos problemas.

Enquanto isto não ocorreu, alguns clubes, visionários e organizados, estiveram alheios à crise. Focando em categorias de base, estes neocaledônios se tornaram a elite do rúgbi por muitos e muitos anos. Eram imbatíveis fora dos gramados, e dentro deles ganhavam a maioria absoluta das competições.

Até que ocorreu uma nova mudança: o ‘Clube dos 10′ times mais importantes da Nova Caledônia rachou e cada equipe negociou cotas de televisão separadamente, alguns ganhando mais, outros menos, mas todos ganhando bem mais do que recebiam antes.

O ocorreu? Em 2012, uma enxurrada de investimentos, salários estapáfúrdios, treinadores medianos nababescamente pagos. Todo mundo pagava e recebia como se fosse neozelandês! Dinheiro não era mais problema, e o mercado interno se aqueceu de tal maneira que, enxergavam os iludidos dirigentes, era comparável até mesmo à potência vizinha. Ledo engano.

Mais uma vez, alguns times pensaram direito. Mantiveram o pé no freio nos gastos, reduziram investimentos sem sentido e só pagaram alto por atletas que realmente precisavam. Com finanças sob controle, suportaram a pressão da opinião pública e de seus próprios torcedores, seguindo uma política sóbria de investimentos.

Bom, como vocês sabem, estamos em 2022. Nos últimos dez anos times bem planejados se tornaram a elite do rúgbi continental, e passaram a rivalizar inclusive com os vizinhos da Nova Zelândia. A reflexão interna, ocasionando uma mudança estrutural nos paradigmas do rúgbi neocaledonês criou um abismo entre seu sucesso e o fracasso de seus rivais.

Que rivais? Aqueles que se portaram como ‘novos-ricos’ logo após o racha no ‘Clube dos 10′, hoje sobrevivem à sombra de seu passado, envolvidos em dívidas e tentando sair do buraco financeiro.

Vocês entenderam.

*Alexandre Perin é o colaborador colorado do NotFut e também escreve em Almanaque Esportivo.

15.12.1996


Jogos para Sempre, do Sportv, com Paulo Nunes: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5.

11.12.1983

Grêmio 2 x 1 Hamburgo from Patria_tricolor on Vimeo.

Fotos e outros vídeos em Mundial 1983.

Só Sócrates

Em campanha da Revista Placar, em 1995

Na Carta Capital, o último artigo: Alguns sonham, outros não
No Estadão: 15 anos, mais de 300 gols
No Impedimento: Muito mais que um jogador
Xico Sá: Sócrates não morreu, deu só um calcanharzinho de adeus
Flávio Nassar: Sócrates vesus Pelé
Mauro Beting: Sócrates

*Por Alexandre Perin

Leia este texto com a seguinte premissa: ele vale com ou sem Libertadores em 2012 para o Internacional. O presidente Giovani Luigi tem que ousar ao gastar menos (e melhor) com a folha salarial colorada. E o ano que vem será o momento chave de fazê-lo.

Nos últimos sete anos, o clube da Beira-Rio não montou uma única vez um time de gastos mais modestos. Desde 2005, quando vieram Tinga, Jorge Wágner, Iarley, entre outros, o Inter se especializou em montar equipes com salários crescentes e potencial técnico superior.

Acredito inclusive que, no 1º semestre de 2006 e no período do 2º semestre de 2008 e o 1º semestre de 2006, o Inter tinha o melhor grupo do país. Disparado. Porém as saídas de Nilmar e Magrão no 2º turno de 2009, precipitaram um declínio técnico acentuado.

Desde então, a maioria dos contratados vieram por empréstimos, passe livre. Reforços sempre foram um nível abaixo dos que saíram (Nilmar por Alecsandro, Sandro por Wílson Matias, Taison por Edu). Não temos mais sequer um dos 3 melhores elencos do país.

O clube se perdeu nos conceitos de montagem, a ponto de ter times com zagueiros velhos e lentos, sem atacantes rápidos ou um 1º volante indiscutível. Muito disto se reflete na folha insuportável, repleta de jogadores veteranos, salários de seis dígitos. Sem oxigênio para investimentos.

É a hora de coragem no Beira-Rio. Analisar custo/benefício de jogadores caros, facilitar liberações, oferecer atletas. Nenhum clube do país tem tantos campeões continentais, basta oferecê-los. Com uma folha melhor, o Inter terá capacidade de contratar quem precisa, e não quem está disponível (a inútil contratação de Ilsinho só serviu para tirar o espaço de João Paulo).

Por serviços prestados e relação alta de custo/benefício, é hora de deixar partir: Lauro, Bolívar, Sorondo(*), Guiñazu, Kléber e Andrezinho – 6 jogadores. Multicampeões sim, mas com ciclo esgotado.

Por má-resposta em campo e problemas fora deste, é o momento de dizer adeus para: Rodrigo(*), Marcelo Cordeiro, Wílson Matias, Glaydson, Thiago Humberto, Bolaños(*), Ricardo Goulart(*) e Zé Roberto – 8 jogadores. São contratações que não deram certo.

Nem deveriam ter vindo ou atletas de base que não vingaram: Alisson, Daniel, Titi, Derley, Maycon, Marquinhos Gabriel, Ronaldo Conceição, Alex, Guto e Luís Carlos – 10 jogadores. Liberação, dispensa ou empréstimos definitivos.

OBSERVAÇÃO: todos os jogadores com (*) só tem contrato até o final do ano. Renovar seria loucura.

Com liberações, negociações, empréstimos, o Inter facilmente economizaria 3 milhões mensais. Dez jogadores ganham mais de 100 mil reais mensais, seis mais de 200 mil.

Mais que suficiente para trazer: dois ou três atacantes, dois zagueiros, um volante.

Tudo aquilo que o Inter precisa.

*Alexandre Perin é o colaborador colorado do NotFut e também escreve em Almanaque Esportivo.

Aproveitando o ensejo do sucesso do Náutico na Segundona (e por que não da fumaceira na USP?), damos continuidade à série falando de um mito. Dizem por aí que no final da década de 60, em um amistoso da seleção Jamaicana com o Santos, de Pelé, ele é que foi o destaque. O texto é de Maurício Targino. Leia o post ouvindo War:

O ano de 1972 é marcante para o Clube Náutico Capibaribe. Não por títulos ou jogos memoráveis. Mas pela passagem do centroavante Alan Cole pelo alvirrubro da Rosa e Silva.

Os grandes destaque do Timbu naquele ano

Ele foi o primeiro, e salvo registros mais precisos, único, jogador jamaicano a atuar no Brasil. Chamou a atenção dos dirigentes do Náutico numa excursão à terra do reggae em 1971. No ano seguinte, já estava jogando ao lado de Marinho Chagas.

Nos anos 70, Cole era considerado o maior jogador de futebol da Jamaica. Uma espécie de Pelé rastafari. Além de jogador de futebol, Alan “Skill” Cole também era produtor de Bob Marley & The Wailers, bem como co-autor de algumas músicas da banda.

Sua estreia no Náutico foi promissora: um amistoso contra o arqui-rival Sport, na Ilha do Retiro. Empate em 1×1, com o “amigo” de Bob Marley marcando o gol alvirrubro. Logo ensaiou um status de ídolo.

O termo amigo não está entre aspas à toa no parágrafo anterior. Como quase todo mundo no meio do reggae jamaicano nos anos 70, Cole tinha suas tretas e, claro, suas dívidas. Uma delas foi mandada para o amigo famoso e gerou a famosa tentativa de assassinato de Marley em 1976, que obrigou o rei do reggae a se mudar para a Inglaterra.

Mitos

Voltando ao futebol de Alan Cole, a boa estreia foi apenas, como gostam de falar os adeptos da parte tabagística do rastafarianismo, uma brisa, não uma lombra (a aposta de um time brasileiro em um jogador jamaicano nos duros anos 70, essa sim, foi AQUELA lombra). “Skill” Cole acabou não se firmando no time titular, jogando poucas partidas e marcando apenas mais dois gols além daquele “de brisa” da estreia. No campeonato brasileiro de 1972, atuou em três partidas, nas quais o Náutico não perdeu.

Também não ganhou: um empate sem gols com o CRB, em Maceió, e dois empates em 1×1 no estádio do Arruda, contra América-RJ e Santos.

A saída de Alan Cole do Náutico não demorou a acontecer: ainda em 1972, ele foi mandado embora dos Aflitos. O motivo, óbvio, foram as práticas religiosas do centroavante rastafári: fumar quantidades generosas daquela popular erva sagrada dos adeptos de Jah. Numa cidade provinciana e conservadora como o Recife no início da década de 1970, aquilo não era, digamos, visto com bons olhos.

Pouco se soube de Cole depois da meteórica passagem pelo Náutico. Continuou jogando, principalmente pela seleção jamaicana, além da questionável amizade com Bob Marley.

Em 2007, Cole voltou aos noticiários. Não exatamente esportivos, muito menos musicais.
Foi condenado a um ano e meio de prisão e a pagar 15 mil dólares de multa por uma acusação de porte de drogas.

Cinco anos antes, em 2002, foram encontrados nada menos do que 149 quilos de maconha na casa de Alan Cole.

Por Maurício Targino

Juventus, o da Mooca

Atualmente disputando a Série A-3 do Campeonato Paulista, o Clube Atlético Juventus tem tradição e faz até torcedor de “time grande” virar a casaca. Este documentário, idealizado e produzido por alunos de Jornalismo da Faculdade Anhembi Morumbi, mostra um pouco da história do clube e dos apaixonados torcedores do Juventus.

P.S.: Gostaria de poder fazer um Trabalho de Conclusão de Curso prático, como esse.

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