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Hoje, faria 100 anos.


Comandou a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Foi goleiro do Botafogo e Palmeiras.

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Causos do futebol – Aymoré na Copa de 70 como consultor da Revista Placar
Pepe e Amarildo falam de Aymoré

Breve biografia
Centenário de um Mestre

 

O concreto mistura-se com a areia, com o barro e com a vegetação espontânea que brota entre as vigas e pré-moldados ainda não assentados. Com passos rápidos, trabalhadores vindos de todos os lugares do Brasil suam no calor do sempre imprevisível outono gaúcho. São migrantes por necessidade, andarilhos do trabalho. Organizadas e focadas, operam máquinas monstruosas e carregam cada pedaço da construção. Caminhões, guindastes, gruas movem cargas que vão além da capacidade daqueles homens-formigas.

Ao longo dos dias, o crescimento é visível. Ergue-se uma estrutura impressionantemente grande de mais de 600 milhões de reais para, paradoxalmente, explorar uma das atividades mais simples, lúdicas e apaixonantes. Ainda não há gramado, as quatro linhas são apenas imaginárias, as traves aparecem somente como sombras, a bola nem sequer foi convocada. O palco não tem plateia, mas exibe lugares confortáveis e vistosos na forma de arquibancadas robustas, embora frias.

Do alto, a fotografia da chegada à Porto Alegre se modifica. Os pedacinhos faltantes dão a impressão de uma maquetezinha, montada com pecinhas de brinquedo que se encaixam. Colossal, mas cinza, não-tricolor, até contrastando com os dias azuis da Capital. A Arena ainda é apenas um gigante adormecido, ainda sem vida, sem grito, sem torcida, sem futebol, ainda sem história.

Foto: Juliano Kracker

Foto: Juliano Kracker

É inegável a propriedade, capacidade e qualidade com que a Rede Globo produz suas telenovelas. A emissora é uma referência em todo o mundo quando se trata do gênero. Por esse pressuposto, me surpreendi com as cenas de futebol do capítulo de abertura de “Avenida Brasil”, nova novela das 21h. Não sou fã desse tipo de produto, muito menos tecnicamente entendida, mas fui atraída, por curiosidade, pelo apelo com o esporte.

Mesmo que consideremos tratar-se de uma “obra” ficcional, não é possível relevar a barriga de Murílo Benício e os passes desajeitados do “craque” do Flamengo. Em pleno 2012, esperava-se uma produção elaborada e melhor mascarada pelos efeitos visuais. O jogo em que o “atacante” (mais acima do peso que Ronaldo no final de carreira) se consagra não merece outra adjetivo senão ridículo.

Não é preciso entender (de novela ou de futebol) ou pesquisar demasiadamente para comprovar, em comparativos de telenovelas da própria Globo, o quanto as cenas da atual trama nos maltrataram. “Irmãos Coragem”, por exemplo, tanto no remake em 1995 quanto na original em 1970, apresentaram takes convincentes e que chegam perto de reproduzir uma realidade.

Irmãos Coragem (1970)

Vereda Tropical (1984)

Irmãos Coragem (1995)

Por Alexandre Perin (@a_esportivo)

Existe um ditado na família dos Perin que vaticina: tudo que existe em excesso, é ruim. Não sou jornalista, não estudei teoria da comunicação social porém, há 32 anos, sou cliente: um telespectador. E este texto trata disto: de como o espectador está sendo tratado pela imprensa esportiva brasileira.

Assim pode ser analisado o atual momento do jornalismo tupiniquim. Desde o pioneirismo de Márcio Canuto às reportagens de Régis Rösing, sempre existiu um lado, digamos, ‘descontraído’ no noticiário esportivo do Brasil. É verdade que muitas vezes me irritava o espaço demasiado a determinadas reportagens sobre a “comida típica” do clássico tal, esquecendo de informar sobre o jogo decisivo em si, ou outro assunto qualquer. Mas era um foco a ser explorado, e o foi com maestria.

Porém, de uns dois anos para cá ocorre uma inversão. O que era eventual se tornou padrão. O lado “cômico” é a regra, enquanto reportagens técnicas se tornaram quase uma “vergonha” para os produtores e editores de programas televisivos. Reportagens sobre as músicas preferidas de um centroavante em suas comemorações recebem bons cinco minutos de fama. Enquanto isto, ficamos sem assistir os gols da Segunda Divisão ou informações sobre times do interior. Ou seja: quem assiste um programa esportivo, quer se informar. E ‘informação’, que semanticamente significa “modificar o conhecimento” não é mais prioridade na tevê brasileira.

Algumas pesquisas (nenhuma científica) indicam que reportagens assim atraem um público que normalmente ficaria indiferente ao assunto. Vejo a prova em casa, já que minha esposa (pouco ligada aos esportes), gosta bastante da fórmula dos “Gols do Fantástico”. Sim, esta maneira de exibir o conteúdo pode ser atrativa. Porém sempre há um limite. E este se torna alcançado quando se perde o público anterior, que busca outras mídias para se informar (em especial a internet).

Outros indicativos apontam que matérias muito técnicas se tornavam maçantes, chatas na visão de boa parte dos telespectadores. Só que existem maneiras de se apresentar um conteúdo, nichos que podem ser atingidos por todos. O meio-termo deve ser buscado. Matérias podem ser absolutamente emocionantes sem cair no ridículo. Recentemente vimos uma série sensacional no Globo Esporte mostrando a história dos hinos dos times cariocas. E também podem ser engraçadas sem virarem uma comédia pastelão, sem graça. Banal.

Quem disse que toda data comemorativa (dia das mães, natal, páscoa, carnaval, independência) precisa ter uma “matéria festiva” mostrando pessoas comuns ou atletas envolvidos naquele ‘tema’, quase sempre de uma maneira totalmente artificial? E qual é a ‘notícia’ em informar que um craque do futebol brasileiro postou uma foto com seu filho no twitter?

Por uma preferência pessoal, eu gosto de programas informativos, reportagens que mostrem uma visão ampla de determinados assuntos, histórias antigas sobre lugares e fatos. Relações entre a vida da sociedade e o esporte, entre o ser humano e o atleta.

Para finalizar, vale a reflexão:

· Domingo pela manhã, uma reportagem sensacional da série “Missão de Paz” com o mesmo Rösing em Angola, mostrando os impactos das sucessivas guerras no país e como está a reconstrução do mesmo, com um viés esportivo.

· Domingo à noite, uma matéria sobre o gol perdido de Deivid em um jogo do Flamengo. Mostrou uma idosa, um macaco, uma bailarina, um perna-de-pau (literalmente), um mergulhador “fazendo o gol”. Por cinco longos minutos.

O jornalista não pode se tornar mais importante que o fato noticiado.

Posso resumir assim: volta, Léo Batista!


O Alexandre Perin postou no Almanaque Esportivo duas indicações de sites que contam a história do futebol em imagens. Para quem ainda não viu, vale passar horas navegando pelas fotos:

- The Football Archivist
- I Got Cider in My Ear

Em 2012, o Notas Futebolísticas dá continuidade a série apresentando personagens míticos e importantes para a história do esporte nacional. Perácio teve em sua trajetória peripécias dignas de serem relembradas. O texto é de Maurício Targino.

Estádio de São Januário, 22 de janeiro de 1939. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Brasil e Argentina se enfrentavam pela Copa Roca. O jogo está empatado em 2 a 2 e o árbitro (brasileiro) Carlos de Oliveira Monteiro, vulgo Tijolo, marca pênalti a favor do Brasil.

Claro que ia dar confusão. E deu. Os hermanos partiram para cima do árbitro e a polícia agiu, previsivelmente, na base da porrada, obrigando os argentinos a ir para os vestiários.

A partida não foi encerrada e o pênalti foi mantido. Perácio foi para a cobrança, não sem antes ouvir a recomendação do técnico Carlito Rocha, aquele mesmo que mais tarde ficaria conhecido como o folclórico presidente do Botafogo, pedindo que cobrasse bem no cantinho.

“Mas Seo Carlito, o gol está vazio.”
“Não interessa, chuta no cantinho.”

Ao se preparar para a cobrança, Perácio ouve a torcida berrar:

“Devagar, Perácio, e no meio”.

Perácio cobrou tão devagar que quase teve que correr e soprar para que a bola passasse a linha fatal.

Um “causo” desses já colocaria José Perácio em qualquer antologia de jogadores folclóricos. Ainda mais por ele, um ano antes, ter quebrado o braço do goleiro Planicka da Tchecoslováquia com um chute.

Não, Perácio não era um precursor de Almir Pernambuquinho ou Serginho Chulapa. É que nas quartas-de-final da Copa de 1938, Perácio acertou um petardo, que Planicka, ao tentar defender, chocou-se com a trave, quebrando o braço e a clavícula.

E tem ainda mais histórias envolvendo Perácio. Na viagem da delegação brasileira que disputaria a Copa de 1938, Perácio passava horas no convés com um binóculo. Queria ver a linha do Equador bem de pertinho.

Perácio também tinha o estranho hábito de estacionar seu carro, um Packard, próximo ao estádio e ligar o rádio no volume máximo para poder ouvir o locutor gritar “gol de Perácio”. Só que além de à época os rádios de automóveis não serem tão potentes, ele também fechava os vidros. Ou seja, tudo o que Perácio conseguia era que a bateria do Packard arriasse.

“Causos” à parte, José Perácio Berjun foi um dos maiores jogadores brasileiros da época de transição do amadorismo para o profissionalismo. Nascido em 02 de novembro de 1917, em Nova Lima, Minas Gerais, Perácio começou a carreira em 1932, no Villa Nova, com apenas quinze anos. No ano seguinte, foi campeão mineiro, feito repetido em 1934 e 1935. Jogou mais um ano no clube mineiro até se transferir em 1937 para o Botafogo, clube do seu coração, onde jogou até 1940 e se tornou um dos maiores ídolos da história do alvinegro carioca.

Como vários ídolos da história do Botafogo, como por exemplo Heleno de Freitas, Perácio não conquistou títulos pelo clube da estrela solitária. Mas jogou sua única Copa do Mundo (1938, onde marcou dois gols no eletrizante 6×5 na estréia contra a Polônia e mais um nos 4×2 contra a Suécia, na decisão de terceiro lugar) como jogador do Botafogo.

Em 1941, transferiu-se para o rival Flamengo e conquistou o tricampeonato carioca de 1942-43-44. E como torcedor botafoguense adora uma coincidência (de preferência trágica), a situação é um tanto parecida com Heleno, que foi tetra vice-carioca de 1944 a 1947 com o Botafogo, foi para o Boca Juniors em 1948 e o Bota foi campeão. Heleno voltou ao Rio em 1949 e foi campeão carioca. Pelo Vasco.

Em 1944, Perácio lutou na Segunda Guerra Mundial, pela Força Expedicionária Brasileira (FEB). Com o fim da guerra, voltou ao Flamengo, onde ficou até 1949, quando se transferiu para o modesto Canto do Rio, jogando as temporadas de 1950 e 1951, quando encerrou a carreira.

Numa época em que os meio-campistas não jogavam em velocidade e pouco encostavam no ataque (já que se jogava com quatro ou cinco atacantes), Perácio, meia-esquerda, se destacou por marcar muitos gols. João Saldanha explica:

“É que ele representa uma nova etapa do futebol: a do profissionalismo, onde o jogador não é apenas um futebolista na acepção da palavra, mas um futebolista e atleta, formado em toda a extensão.”

Perácio morreu na capital carioca em 10 de março de 1977, aos 59 anos. Mesmo sendo veloz e dono de um fôlego invejável em sua época de jogador, Perácio era fumante inveterado. E um cigarro rendeu a sua melhor e mais conhecida história: Perácio pára seu Packard no posto de gasolina. Junto a ele, está Martim Silveira, companheiro de Botafogo. Enquanto o carro é abastecido, Perácio, ao lado da bomba, acende um cigarro. Martim se desespera e pede que Perácio, pelo amor de Deus, apague o cigarro. A resposta, ingênua, se tornou nada menos que uma das maiores tiradas da história da humanidade:

“Desculpa Martim, não sabia que você era supersticioso.”

Por Maurício Targino

Ah, ano novo


Antes que o mundo acabe: Feliz 2012!
Crédito: Shaun Boterill/FIFA

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