Um relato do pensar ao escrever o perfil Guardiã de Glórias, com Ema Tereza Facchin Coelho de Souza:
Definitivamente não é fácil planejar uma entrevista perfil depois de ouvir a teoria sobre como fazê-la. Assim que me foi proposta a atividade de escolher um personagem e contar sua história lembrei de autores que li ou muito ouvi falar (Gay Talese, Joseph Mitchell, Tom Wolfe, Truman Capote, José Hamilton Ribeiro, Zuenir Ventura e Eliane Brum). Como fazer um texto perfil quando naquele momento o livro de cabeceira é “Fama e Anonimato”, do Talese? A partir disso, se tornou um desafio maior, porque lendo estes jornalistas desconstruo a entrevista e imagino quais foram os processos. É quando vejo o quão difícil é ser jornalista.
Porém, todos os receios que eu acreditava ter caíram no primeiro contato com a minha personagem. No telefone, dona Ema me tratou com pronomes adjetivos carinhosos que me diziam para não ter medo. “Pode vir sim, filhinha”. E, com a colega fotógrafa Manu Spies, fui. A entrevistada colaborou mais do que eu imaginava. Demonstrou ter o discernimento de que sou estudante, mas não me tratou como uma iniciante que não sabia o que estava fazendo. Afinal, deixei claro o que queria.

Dona Ema (à esquerda) ensina muitas coisas para a autora deste blog
Conversamos por mais de duas horas. Algumas vezes fomos interrompidas por suas tarefas, outras pelo hábito que ela tem de atender todos com muita dedicação. Dona Ema contou que assina revistas de futebol e traz para o arquivo do Memorial. Recebe exemplares diários de três jornais, mas às vezes desaparecem. Quando acontece, outra vez ela traz de casa. Até para essas aparentes banalidades falta dinheiro. Por isso, precisa equilibrar um montante de ideias com a escassa verba. Mas não desiste.
No fim da entrevista, dona Ema precisava correr e só parei de fazer perguntas porque ela queria muito naquela noite assistir a Bibi Ferreira imitando a Edit Piaf. Saí do Olímpico com anotações em duas páginas do meu bloquinho. Anotações que só eu posso decifrar. O mais importante, portanto, ainda está na minha memória com a dona Ema articulando.
Só faltava colocar no papel o texto que estava arquitetado na minha cabeça. Se nada até agora foi complicado, daqui para frente vai ser. Foi o que pensei e foi o que aconteceu. Levei mais de um mês para terminar o texto. Não tive bloqueios para escrever em nenhuma parte do processo. Mas várias outras circunstâncias, como mudanças de estágio e de cidade me fizeram estagnar. Foi então que o texto dormiu por dias. Mas quando acordou estava como eu queria. Pronto (e parece que nunca vai estar), lembrei o quão difícil é ser jornalista e tive mais uma prova de que quero ser jornalista.
Juliana de Brito
Só tu mesmo pra fazer eu ler uma entrevista perfil inteira com a guardiã do museu do arquirrival…
Gostei da pasta “Eles”. Com certeza deve ser enorme, uma vez que estamos com muitas vitórias a frente. Certamente tem o gol do Fabiano Cachaça…ahahaah
Mas falando sério. gostei da fluidez do texto. Bem leve, fácil de ler e bem pontuado.
Muito bom mesmo.
Parabéns.
Juliana
Gostei do teu texto.
Uma pergunta?
Tu sabe se a dona Ema é formada em História, Museologia, algum outro curso superior ou apenas é uma mulher dedicada a registrar, conservar e contar as façanhas do Grêmio?
abraço
david
Olá, David. Se não me engano, a formação dela é em administração. Apenas tem interesse em História e Museologia e contava com profissionais para ajudá-la.
Abraços,
Juliana de Brito.