O que é preciso para um jogador de futebol conquistar o atado coração de torcedor? O torcedor desleixado não exige muito. O atacante pode fazer apenas um gol: lindo; o zagueiro um desarme: ótimo; o meio-campista um lançamento alçado com efeito: maravilhoso; o volante dar um carrinho: aplausos; os laterais correrendo sem rumo: é a reencarnação de Duncan Edwards.
Esse é o torcedor comum, o despreocupado, o desleixado. Já o exigente quer um jogador que lhe afague, que seja inteligente com ou sem a bola, que seja efetivo na sua função – e nas eventuais necessidades das outras também. Quer um pouco mais. Talvez muito mais.

"Ninguém vai me abraçar?"
Pode ver: Alecsandro fez o privilegiado e solitário gol no único Grenal de 2010, fez quatro gols no Gauchão e o primeiro mais importante do Internacional na Libertadores da América, na virada diante do Emelec.
Mas o filho de Lela e irmão de Richalyson está longe de ser unanimidade. Entrar com o rótulo de substituto de Nilmar não é bom para nenhum jogador. Definitivamente, mais difícil ainda é suprir no coração do torcedor um jogador veloz, matador e carismático como é o Menino do Beira-Rio. Isto é, Alecsandro aceitou uma tarefa impossível. Despois de um ano de murmúrios, encarou e fez concha no ouvido para ouvir os aplausos. Alguns vaiaram – e ainda vaiam.

Segundo aprofundada pesquisa, seis em cada sete torcedores do Internacional já vaiaram Alecsandro
O que o torcedor quer afinal? Para virar enamorado de um camisa nove, o que é necessário? O que Alecsandro deve fazer além do gol definitivo, decisivo? Ele está longe de ser Nilmar, mas é melhor que Kleber Pereira, confiem. O torcedor, esse ser insano, pede por um enriquecimento impossível na qualidade do centroavante. Deseja algo extraordinário, que desconheço. Já Alecsandro, no entanto, deixa fluir com evidência que precisa somente de mãos coloradas afagando seu futebol. Deseja aquilo que vai além das agudas cornetas e dos tímidos agradecimentos. Isso só o torcedor, esse ser insano, pode dar.
Fotos: Jefferson Botega e Eduardo Cecconi/ClicEsportes
Juliana de Brito
Não é possível, ou pelo menos não consigo ver uma maneira de, criar uma lista de coisas que farão os torcedores gostar de um jogador. Ainda mais se tratando de torcedores colorados.
Costumo brincar que coisas como “dar carrinhos”, “bater no escudo” e “ser argentino” facilmente fazem os torcedores gremistas gostarem de um jogador. Jogar bem e fazer gols é trivial, ou só isso explica o fato da torcida em peso menosprezar Jonas (já afirmado como bom jogador e goleador) e idolatrar Maxi Lopez (que em um ano não conseguiu firmar nem uma coisa nem outra, mas sai em vantagem por ter nascido perto do Prata).
Mas por não ser torcedor do Inter (por isso seria quase um imparcial), posso suspeitar que a torcida ainda guarda mágua por ele ter chego para o lugar de Nilmar, e ser visivelmente inferior ao paranaense. Alecsandro é um centroavante clássico, daqueles que todo time deveria ter, mas está longe de ser um jogador diferenciado como Nilmar, daqueles que podem decidir uma partida num lance (lembram do gol contra o Corinthians na abertura do Brasileirão 2009? conseguem imaginar o Alecsandro fazendo algo assim?).
Mas afinal, ninguem nunca conseguiu agradar Gregos e Troianos.