Não por vencer o Internacional – resultado que vem sendo raro para os gremistas –, mas gostaria de estar na pele de Argel por todo o contexto: pelo ímpeto, pela discussão com D’Alessandro e para discorrer aquelas mesmas palavras na entrevista coletiva. Argélico Fucks com seu eterno espírito de zagueiro foi genial nesta noite das zebras no futebol brasileiro.
Reitero: não é corneta. Não atiro pedra no telhado do vizinho, tendo em vista que fiascos vão e vem. Acontecerão novas humilhações para todos os lados ali na frente, não tenho dúvidas. Desde que chegou ao São José em dezembro de 2008, o técnico faz boa campanha. Faz história no clube. O Zequinha, clube quase centenário, ostenta como sua maior conquista ser campeão da Copa Governador em 1971. Daí qualquer um conclui que vencer a equipe titular do Internacional também merece comemorações efusivas.
Gostaria de estar na pele de Argel para apontar o dedo na cara do D’Alessandro. Todo time precisa de alguém explosivo dentro de campo, como é o caso do argentino. Mas ninguém carece de jogador que briga com o adversário. Aliás, atualmente, no futebol, esses homens não têm elegância para levar uma janelinha. Argel levou uma de Riquelme. Não esperneou.
Analisando as imagens, percebe-se a elevação de Argel em seus mínimos três centímetros mais alto que o moleque (que, aqui, aparece dançando que nem menina). E depois da discussão, após os três merecidos gols, Argel estava feliz. A elegante camisa preta, a favorita de Argel, suava a exultação que eu queria ter vivenciado.
Queria ter sido Argel para experimentar o deleite de fazer uma análise tão firme e determinada de um embate: “Poderia ter sido mais. Se dissessem que foi um massacre, eu concordaria. Jogamos como o Chelsea. O Inter não foi falho. O São José é que foi forte”. Quem apresenta a confiança e a certeza que o ex-defensor escancara ao falar de sua equipe? Fossati não tem. Ninguém tem. Por uma noite, queria ter sido Argel.
Eis os gols da equipe de Argel (quase um Ancelotti):
Fotos: sem crédito e Porthus Junior/ClicEsportes
Juliana de Brito


Olha, tivesse mais dois jogos com as mesmas escalações e o inter não viraria o jogo contra o Zequinha. Para o Colorado, só mais um Jogo. Já para a equipe de Argel era a busca pelo respeito perdido na final do Gaúchão ano passado quando, levou 8 a 1 em pleno Beira Rio.
Como colorado lamento a derrota (humilhante, sem explicação ou com muitas explicações. Até a maior viúva do Tite sabe que uma zaga com Nei, Sorondo, Eller e Kleber nunca ia dar certo).
Mas como espectador de bom futebol, foi interessante ver a postura tática do time do Argel e a vontade em ganhar o jogo e lavar sua honra. Foi um importante passo nesta carreira recém iniciada de um bom estrategista de futebol.