Em 16 de agosto de 2006, sobressaltada com a incapacidade do São Paulo em manter minhas esperanças e abatida com a fluidez vermelha daquela edição da Copa Libertadores, me pus escondida e encolhida no lado avesso da cama, derramando algumas amargas lágrimas. Lá, nem minha mãe colorada, com seu instinto de vidente, poderia me encontrar. Depois de quatro anos, aprendi a não ocultar sentimentos futebolísticos. E aviso: neste momento não esperem de mim análises embasadas na razão.
Tudo está mais claro (ou parece estar). Acordei e a eis a realidade: o Internacional é duas vezes campeão da Copa Libertadores da América, em um intervalo quase insuportável, inacreditável e espantoso. Pelos diversos e emblemáticos motivos. Precoce, Giuliano – endosso o clichê – é um predestinado. Damião saiu de sua esfera, que parece ser o Gauchão, e marcou um bonito e importante gol. E o que dizer de Celso Roth? Entra para a história do clube e para o grupo de treinadores medianos que carimbam no currículo um título importante, mas, de minha parte, não garante seu total reconhecimento. E tantos são os outros personagens íntimos dos vermelhos e reconhecidos sem pressa por mim.
O mais sofrível é reaprender e repensar as coisas do futebol. Bem como em todos os campos dessa vida, só quando golpeados percebemos que nunca estamos prontos. Isto não me soa, no momento, reconfortante, mas, em termos de títulos, o Rio Grande do Sul se impõe na frente de paulistas, de cariocas e de mineiros. É um estímulo para os dirigentes em seus desenhos de planos para o futuro. O futebol brasileiro precisa ser capaz de aprender com os acertos dos outros. Os colorados bem sabem que correr por fora durante 15 anos é muito cansativo para este novo século. Desta vez, quero ficar bem aqui para ver tudo, sem esconderijo e sem lágrimas.
Foto: EFE/Antonio Lacerda
Juliana de Brito



