Na vida, às vezes nos deparamos com pessoas que exigem de nós, insistente e enfadonhamente, aprender com a convivência. Colegas e chefes de trabalho, por exemplo. Não raro, acaba-se por gostar e admirar o sujeito. Também é comum esse duo amor-ódio no futebol. E precisa de exemplo mais lindo que o relacionamento de Jonas com a torcida tricolor?

Gremista: entenda Jonas, ame-o e seja feliz
Falo, especificamente, da minha relação gremista/pessoal com o jogador. Jonas Gonçalves Oliveira tem suas aparentes dificuldades com a bola. Por isso, sempre mantive grande desconfiança sobre sua capacidade de jogar em um clube que há anos é carente de matadores.
Jonas, porém, demonstra ser o modelo de empenho, comprometimento e seriedade. É o típico atleta de grupo. Não esconde a alegria no pós-jogo e, quando chega a dois gols por partida, costuma dizer que é o dia mais feliz da sua vida. Quem se deixa levar por suas qualidades, algumas raras, seguirá um caminho de contemplação.
Em suas passagens por Guarani, Santos, Portuguesa e Grêmio, o atacante encontrou dificuldades. No Bugre, apesar de artilheiro da Segundona Brasileira, entrava durante as partidas. Quando chamou a atenção do Santos – e surgiu a chance de figurar em um grande clube –, a diretoria do Guarani tentou segurá-lo. Dificuldades de natureza contratual também é uma especialidade de Jonas.
Mas, aí, através de alguma Vara do Trabalho e com a esperteza de seu irmão/empresário, Thiago Oliveira, o atacante se transferiu para o Peixe, onde foi feliz até a próxima lesão. Seis meses parado e, assim, o jogador não pôde corresponder às expectativas. Daí, a falta de sequência se impõe e surgem os fatores de desconfiança
Em, 2007, o Grêmio confiou nos atributos e na recuperação de Jonas. Gols oportunos e esquisitos. Nada adiantava. Na equipe de Mano Menezes, considerado franzino, entrava em poucas partidas, muitas vezes apenas no segundo tempo. Talvez, a partir disso, tenha desenvolvido seu poder de reverter as dificuldades e instituir nas equipes o entusiasmo necessários para virar um jogo uma, duas, três vezes.
Depois do empréstimo para a Portuguesa, voltou experiente e confiante. Só alguém com fidúcia, alteza e fé em si é capaz de passar por cima das críticas e dos próprios erros. Só um mestre como Jonas é hábil suficiente para, afável e efetivamente, conquistar torcedores de coração atado como essa blogueira. Mestre Jonas ensina: é preciso aprender a amá-lo.
Foto: Mauro Vieira/Zero Hora
Juliana de Brito
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