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Arquivo da categoria ‘Personagem da Semana’

Por Maurício Targino

mazurka

Campeão da Libertadores e do Mundial com o Peñarol.

Campeão da América com o Uruguai.

Campeão brasileiro com o Galo.

Melhor goleiro da história do seu país.

Sucessor do maior de todos, Lev Yashin. Ungido pelo próprio e sempre trajado de negro, tal qual o mestre.

Entrou para a história por causa de um jogo. Por causa de dois lances. Por causa de um jogador.

Mazurkiewicz cobra mal o tiro de meta.

Pelé chuta de primeira, antes que abola chegue ao meio de campo.

Mazurkiewicz defende.

Pelé deixa a bola passar.

O camisa 10 dá a volta em Mazurkiewicz.

Conformado, apenas espera a conclusão da obra-prima no estádio Jalisco.

Pelé chuta. Para fora.

Tantos títulos, tantas defesas. E o que fica para a eternidade? Duas jogadas como mero coadjuvante.

Vida de goleiro é foda.

Descanse em paz, Mazurka.

*Maurício Targino é torcedor do Sport e colaborador deste blog.

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Criança não precisa de muito para ser feliz. Basta um gol. E quando lhe dão um mundo de belos feitos, inconsequentemente, lhe servem um novo mundo para imaginar. Diante do que Ronaldo fazia, redimensionava os acontecimentos, reposicionava o ser humano: coloca-se no lugar de um semi-Deus, um intocável. Quando crianças, pensávamos que Ronaldo era bom demais para existir, mas percebemos que é humano demais para resistir. Arrebentou. Chorou. Parou.

Quem cresceu com Ronaldo, escolheu ficar com ele até o fim. Um gol aqui, outro ali, de bico , e aqueles para jamais esquecer. Contabilizou e, no fim, são 15 para tornar-se o maior das Copas. 1998, 2002, 2006: foi do céu ao inferno – e do inferno renasceu, rindo o mesmo sorriso de quando tinha 17 anos, nos fazendo novamente crianças.

Oficialmente, foi o melhor em 1996, 1997 e 2002. Qualidade nem sempre se mede com troféus (apesar da sua sala estar cheia deles). Se dimensiona também por superação, por caráter e poder de decisão. Provava isso diante dos goleiros com a frieza inversamente proporcional ao calor de todos os jogos que participou. Para muitos, seus mais de 400 gols modificaram o modo de ver futebol. E para outros, com cada um deles, cativou o gosto pelo esporte. Um centroavante grandiosamente inesquecível que talvez não saiba o quanto fez sorrir as eternas crianças que o viram jogar.

Muito obrigada, Ronaldo. De fato, foi lindo pra caramba.

Juliana de Brito

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Não por vencer o Internacional – resultado que vem sendo raro para os gremistas –, mas gostaria de estar na pele de Argel por todo o contexto: pelo ímpeto, pela discussão com D’Alessandro e para discorrer aquelas mesmas palavras na entrevista coletiva. Argélico Fucks com seu eterno espírito de zagueiro foi genial nesta noite das zebras no futebol brasileiro.

O melhor corte de cabelo de Argel

Reitero: não é corneta. Não atiro pedra no telhado do vizinho, tendo em vista que fiascos vão e vem. Acontecerão novas humilhações para todos os lados ali na frente, não tenho dúvidas. Desde que chegou ao São José em dezembro de 2008, o técnico faz boa campanha. Faz história no clube. O Zequinha, clube quase centenário, ostenta como sua maior conquista ser campeão da Copa Governador em 1971. Daí qualquer um conclui que vencer a equipe titular do Internacional também merece comemorações efusivas.

Gostaria de estar na pele de Argel para apontar o dedo na cara do D’Alessandro. Todo time precisa de alguém explosivo dentro de campo, como é o caso do argentino. Mas ninguém carece de jogador que briga com o adversário. Aliás, atualmente, no futebol, esses homens não têm elegância para levar uma janelinha. Argel levou uma de Riquelme. Não esperneou.

Analisando as imagens, percebe-se a elevação de Argel em seus mínimos três centímetros mais alto que o moleque (que, aqui, aparece dançando que nem menina). E depois da discussão, após os três merecidos gols, Argel estava feliz. A elegante camisa preta, a favorita de Argel, suava a exultação que eu queria ter vivenciado.

A camisa da sorte é sempre a mesma. A cara de zagueiro também

Queria ter sido Argel para experimentar o deleite de fazer uma análise tão firme e determinada de um embate: “Poderia ter sido mais. Se dissessem que foi um massacre, eu concordaria. Jogamos como o Chelsea. O Inter não foi falho. O São José é que foi forte”. Quem apresenta a confiança e a certeza que o ex-defensor escancara ao falar de sua equipe? Fossati não tem. Ninguém tem. Por uma noite, queria ter sido Argel.

Eis os gols da equipe de Argel (quase um Ancelotti):

Fotos: sem crédito e Porthus Junior/ClicEsportes

Juliana de Brito

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“A vida é um eterno perde e ganha”. Já dizia Marcelo D2, ao qual não tenho nenhuma admiração ou apego: “Um dia a gente perde, no outro a gente apanha” ou “um dia a gente perde, no outro a gente ganha”. Não sei bem, pois a letra se abrigou na minha mente sem permissão, por osmose. O negócio é que quando se refere a Bruno Fernandes das Dores de Souza eu preferia a aplicação da primeira frase. Não alimento nem desejo sentimentos ruins ao goleiro do Flamengo. Mas Bruno nunca me convenceu, nunca me persuadiu.

"O que o mundo chama de mérito e valor são ídolos que têm apenas nome, mas nenhuma essência. A fama que vos encanta, vós altivos mortais, com um doce som, e que parece tão bela é um eco, um sonho, melhor que um sonho, uma sombra, que a cada sopro de vento se dispersa e desaparece". Segura essa do Torquato Tasso, Bruno

Apesar de uma trajetória de sucesso, sempre apresentou oscilações. Começou no Atlético-MG, como reserva de Danrlei, foi para o Corinthians, onde já demonstrou todas suas dificuldades de relacionamento quando sequer vestiu a camisa do clube e, então, chegou ao Flamengo. Tornou-se líder, ídolo e titular.

Porém, demonstra, cada vez mais, ter traços de um boçal em sua personalidade. Quem sou eu para julgar caráter de jogador de futebol, afinal? Ninguém. Mas ainda acredito na utopia de que nossos “heróis” devem ir além do bom futebol – o que, de todo, não é o caso de Bruno –, e inspirar bons exemplos em nossos jovens (vide Victor).

Não raro, penso que o goleiro rubro-negro tem uns quarenta anos de idade. Fala muito e com a segurança de quem já viveu o bastante para habilitar suas opiniões. Mas não. Bruno é imaturo com seus 25 – cinco atuando como profissional. Na semana passada, fez pior que em muitos de seus frangos. Questionou: “Quem de vocês aí nunca saiu na mão com a mulher?”. Pessoas que não estão na cadeia ou não têm problemas mentais, responderam com um “não” óbvio.

Se conseguir, reflita

Daí me vem com a falácia de que Bruno tem que fazer dentro de campo, que pegou dois pênaltis no clássico contra o Vasco (na sequência, pela Libertadores, de novo, perdeu, apanhou). É em atitudes que se criam ídolos. E Bruno se embaraça sempre que parte para a ação. Tem um discurso perturbado, como Souza – com a diferença que o meia gremista deve ser um pouco mais inteligente. O arqueiro ganhou minha antipatia com frases do tipo “Torcida atrapalha” e notícias como “Bruno, do Flamengo, é acusado de agressão”. Eis um ídolo que não sabe admitir o próprio erro ou o mérito do adversário. Bruno deve baixar o tom – e a mão.

Opa!

Fotos: Arquivo O Globo e Eduardo Peixoto, Globoesporte.com

Juliana de Brito

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“Quero sair daqui, me levantar e ir à minha casa ver meus dois filhos. Quero brincar com eles. É isso que faria, se pudesse.”

Falta pouco para rever essa expressão no rosto que, de modo carinhoso e definitivo, assusta os adversários

Depois de levar um tiro na cabeça no dia 25 de janeiro, Salvador Cabañas Ortega concedeu sua primeira entrevista para a Rede Televisa, na última sexta-feira, 12 de março. Sem dúvidas, é um alento vê-lo articulando frases e até esboçando um pequeno sorriso. Porém, Cabañas está imóvel e responde de forma maquinal.

É emocionante observar Cabañas, mas constrangedor notar a forma que a conversa foi administrada. Iniciar perguntando ao atacante seu nome completo foi uma opção infeliz da entrevistadora. Dá vontade de não assistir ao resto. Mas segui em frente e percebi outras perguntas no mesmo caminho. Afinal, qual o sentido de confirmar a lucidez do ídolo em rede nacional?

Por fim, é uma entrevista importante por sua exclusividade. E só. A jornalista não teve a sensibilidade para conduzi-la. E, ao mesmo tempo em que traz alegria ver o matador de volta, entristece a falta de candura.

Se ainda não viu, confira a entrevista:

Adelante, Cabañas.

Foto: Arquivo O Globo

Juliana de Brito

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Avenida x Grêmio apresentou um único alento aos masoquistas que se submeteram à análise do jogo sem álcool no sangue: um lateral-direito. Edílson não é extraordinário, mas demonstrou ter os fundamentos da posição, é um especialista, é um lateral, enfim. Àqueles que por muito tempo conviveram com nulidades, é um fio de esperança.

Edílson fez boa estreia. Defendeu sem parcimônia, simplificando as perigosas jogadas do adversário. Também subiu ao ataque com freqüência, inclusive para marcar o gol. Afora as cobranças de escanteios, sempre curtas e fracas. A propósito disso, Silas não parece ter definido um cobrador de corners. Já Edílson não ganhou a chance cobrar faltas. Ao que dizem os rumores, uma de suas especialidades.

Edílson esconde a cara, mas mostra a pinta

Passaram, nos últimos anos, pela avenida direita gremista, o ótimo zagueiro Mário Fernandes, o lamentável Joílson, o coitado do Ruy, o meia Souza, o operário Paulo Sérgio, o incontestavelmente ruim Bustos, o malquisto Patrício, o acima da média Felipe Mattioni. Se não citei alguém, provavelmente é porque tal jogador não tinha qualidades suficientes para se sentir sua ausência, assim como a maioria dos lembrados acima.

Exceto Souza – jogador de meio-campo e ponto final – e Mário – atua com superioridade na função –, desde que voltou da segunda divisão brasileira, o Grêmio foi desastroso nas escolhas de contratações para a função. Sempre insistiu em jogadores medianos com a perspectiva que se transformassem em grandes jogadores só porque atuariam em um grande clube. Edílson dá um alento para os carentes gremistas.

Rodrigo, o outro estreante da noite, fez à risca o que havia prometido. Jogou com simplicidade. Talvez tenha beirado o simplório. As mudanças na volância melhoraram o meio-campo. Nada de muito animador. Podem trocar as caras, mas dificuldades defensivas do Grêmio continuam as mesmas.

Foto: Diego Vara/ClicEsportes

Juliana de Brito

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O que é preciso para um jogador de futebol conquistar o atado coração de torcedor? O torcedor desleixado não exige muito. O atacante pode fazer apenas um gol: lindo; o zagueiro um desarme: ótimo; o meio-campista um lançamento alçado com efeito: maravilhoso; o volante dar um carrinho: aplausos; os laterais correrendo sem rumo: é a reencarnação de Duncan Edwards.

Esse é o torcedor comum, o despreocupado, o desleixado. Já o exigente quer um jogador que lhe afague, que seja inteligente com ou sem a bola, que seja efetivo na sua função – e nas eventuais necessidades das outras também. Quer um pouco mais. Talvez muito mais.

"Ninguém vai me abraçar?"

Pode ver: Alecsandro fez o privilegiado e solitário gol no único Grenal de 2010, fez quatro gols no Gauchão e o primeiro mais importante do Internacional na Libertadores da América, na virada diante do Emelec.

Mas o filho de Lela e irmão de Richalyson está longe de ser unanimidade. Entrar com o rótulo de substituto de Nilmar não é bom para nenhum jogador. Definitivamente, mais difícil ainda é suprir no coração do torcedor um jogador veloz, matador e carismático como é o Menino do Beira-Rio. Isto é, Alecsandro aceitou uma tarefa impossível. Despois de um ano de murmúrios, encarou e fez concha no ouvido para ouvir os aplausos. Alguns vaiaram – e ainda vaiam.

Segundo aprofundada pesquisa, seis em cada sete torcedores do Internacional já vaiaram Alecsandro

O que o torcedor quer afinal? Para virar enamorado de um camisa nove, o que é necessário? O que Alecsandro deve fazer além do gol definitivo, decisivo? Ele está longe de ser Nilmar, mas é melhor que Kleber Pereira, confiem. O torcedor, esse ser insano, pede por um enriquecimento impossível na qualidade do centroavante. Deseja algo extraordinário, que desconheço. Já Alecsandro, no entanto, deixa fluir com evidência que precisa somente de mãos coloradas afagando seu futebol. Deseja aquilo que vai além das agudas cornetas e dos tímidos agradecimentos. Isso só o torcedor, esse ser insano, pode dar.

Fotos: Jefferson Botega e Eduardo Cecconi/ClicEsportes

Juliana de Brito

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Foi a primeira foto que encontrei creditada. Todas as outras eram montagens de mal gosto

Richarlyson fez a “dança da bundinha”, ouviu em rede nacional o cartola José Cyrillo insinuando que ele é gay, viu sua queixa-crime ser arquivada, usou aplique capilar e, agora, cantou música do Fábio Júnior (vídeo abaixo). No entanto, fato mesmo é que o jogador tem características que lhe credenciam a ser titular em um clube como o São Paulo.

Mas quem se importa com o desempenho em campo do volante (aliás, não foi bem na estreia da Libertadores, contra o Monterrey) se nem parte de sua própria torcida não o respeita? Fácil perceber que Ricky divide opiniões dentro e fora do clube. A Independente, grupo organizado do tricolor, não grita o nome do atleta antes do início da partida. Às vezes é até hostil, xingando o jogador.

Tenho duas pequenas ideias sobre o assunto.

Primeiro tópico: Richarlyson é um homem com brios, é corajoso. Não é de seu feitio privar-se de fazer o que gosta por ser um sujeito público. Não se vale do que os outros vão pensar ou falar. Desafio você, leitor, a citar outro jogador com tamanha personalidade – não vale esses que vomitam polêmicas.

Segundo tópico: assim como qualquer outro, Richarlyson, com seus 27 anos, sabe das conseqüências do que faz. Age com consciência. Tem assessoramento de um pai ex-jogador, de um irmão da área, de profissionais da comunicação e de dirigentes experientes. Não lhe faltam aconselhadores. Portanto, concluo: o volante sabe o que faz dentro e fora de campo. O resto é homofobia.

Ricky canta”Eu Nunca Estive Tão Apaixonado”:


Foto: Nilton Fukuda/AE

Juliana de Brito

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Na vida, às vezes nos deparamos com pessoas que exigem de nós, insistente e enfadonhamente, aprender com a convivência. Colegas e chefes de trabalho, por exemplo. Não raro, acaba-se por gostar e admirar o sujeito. Também é comum esse duo amor-ódio no futebol. E precisa de exemplo mais lindo que o relacionamento de Jonas com a torcida tricolor?

Gremista: entenda Jonas, ame-o e seja feliz

Falo, especificamente, da minha relação gremista/pessoal com o jogador. Jonas Gonçalves Oliveira tem suas aparentes dificuldades com a bola. Por isso, sempre mantive grande desconfiança sobre sua capacidade de jogar em um clube que há anos é carente de matadores.

Jonas, porém, demonstra ser o modelo de empenho, comprometimento e seriedade. É o típico atleta de grupo. Não esconde a alegria no pós-jogo e, quando chega a dois gols por partida, costuma dizer que é o dia mais feliz da sua vida. Quem se deixa levar por suas qualidades, algumas raras, seguirá um caminho de contemplação.

Em suas passagens por Guarani, Santos, Portuguesa e Grêmio, o atacante encontrou dificuldades. No Bugre, apesar de artilheiro da Segundona Brasileira, entrava durante as partidas. Quando chamou a atenção do Santos – e surgiu a chance de figurar em um grande clube –, a diretoria do Guarani tentou segurá-lo. Dificuldades de natureza contratual também é uma especialidade de Jonas.

Mas, aí, através de alguma Vara do Trabalho e com a esperteza de seu irmão/empresário, Thiago Oliveira, o atacante se transferiu para o Peixe, onde foi feliz até a próxima lesão. Seis meses parado e, assim, o jogador não pôde corresponder às expectativas. Daí, a falta de sequência se impõe e surgem os fatores de desconfiança

Em, 2007, o Grêmio confiou nos atributos e na recuperação de Jonas. Gols oportunos e esquisitos. Nada adiantava. Na equipe de Mano Menezes, considerado franzino, entrava em poucas partidas, muitas vezes apenas no segundo tempo. Talvez, a partir disso, tenha desenvolvido seu poder de reverter as dificuldades e instituir nas equipes o entusiasmo necessários para virar um jogo uma, duas, três vezes.

Depois do empréstimo para a Portuguesa, voltou experiente e confiante. Só alguém com fidúcia, alteza e fé em si é capaz de passar por cima das críticas e dos próprios erros. Só um mestre como Jonas é hábil suficiente para, afável e efetivamente, conquistar torcedores de coração atado como essa blogueira. Mestre Jonas ensina: é preciso aprender a amá-lo.

Foto: Mauro Vieira/Zero Hora

Juliana de Brito

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Se eu fosse um atacante desses medianos que se submetem a jogar no frio rigoroso da Rússia, também enfeitaria meus cabelos com as cores de um clube que me desse uma grande chance. Não obstante, beijaria o distintivo e derramaria algumas lágrimas. Exaltaria a grandeza da entidade, elogiaria o grupo de jogadores e projetaria um futuro (nem que seja num recorte de seis meses) brilhante. Foi o que Vágner Love fez ao se apresentar no Flamengo, na sexta-feira, 15 de janeiro.

Troca a cor das tranças com a mesma frequência que troca o clube do coração

Vágner Silva de Souza pode ser um fanfarrão ao fazer isso. Jogadores fazem isso o tempo todo. Os torcedores não suportam mais e pedem sinceridade. Mas compreendo porque a atual situação exige. No caso do ex-palmeirense talvez exista sentimento verdadeiro de gratidão. Só saberemos se for efetivada uma mudança de atitude urgente no futebol do jogador.

Nascido em Bangu, na Zona Oeste do Rio, Love é o novo companheiro do Imperador Adriano. Jogador de qualidade média, não tem a objetividade que é exigida de todo atacante e de todo jornalista. Reconheço sua facilidade em encarar o goleiro. Porém, nos últimos anos vimos um fraco centroavante no selecionado de Dunga e um jogador de atuações decepcionantes no Palmeiras.

Com Willians, Kléberson e Petkovic, Love completa no elenco rubro-negro um time do meio para frente muito forte. O atacante, portanto, funcionará melhor nas montagens de Andrade do que nas armações de Muricy Ramalho. Além disso, certamente, terá mais entusiasmo no Flamengo e, com isso, a oportunidade de recuperar o título de artilheiro do amor.

Juliana de Brito

Update: Em tempo, o portal de esportes Terra publicou matéria na qual lembra que Vágner Love fez um choro muito parecido na sua chegada ao Palmeiras, há menos de seis meses. Leia a matéria “Choros como o de Vágner Love não indicam vida longa” clicando aqui.

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