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Arquivo da categoria ‘Personagem do Dia’

Sem mais

De um lado, um time forte e agressivo. De outro, uma equipe de toques rápidos e precisos. Com toda a tensão e tesão de final de Copa do Mundo, os adjetivos foram potencializados em desfavor de um bom jogo. A definição superficial da partida pode ficar em faltosa e violenta, e decorreu na distribuição de 13 cartões amarelos e um vermelho. O último embate deste grande Mundial foi tão imprevisível quanto os outros dias. Menos para aqueles que sabem fazer profecias, o que não é o caso de nossos cronistas. Aos 11 do segundo tempo da prorrogação, a Espanha conquistou o título com um gol, um belo gol, de Andrés Iniesta. O jogador ainda não hesitou em tirar a camisa e fazer bonita homenagem. Foi o êxtase final, o último gol, o lance derradeiro desta Copa e nada mais apropriado que surgisse dos pés do “garoto que não sabia chutar”. Até a próxima.

Foto: EFE

Juliana de Brito

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Cinco chutes, cinco gols

Equipado com prêmio muito maior, o de Dominador de Jabulani da Copa, Forlán poderia ser o Personagem do Dia. É o melhor representante deste Uruguai forte e lutador. Mas a Alemanha também mostrou pujança na Copa. A tão falada renovação promovida por Joachim Löw traz como expoente o jovem Thomas Müller. Recém iniciado no selecionado, foi o jogador do Bayern quem abriu o placar diante do Uruguai e retomou a movimentação no ataque, parada pela Espanha, na semifinal, quando ele esteve suspenso. O setor ofensivo dos alemães contou ainda com o mau dia de Muslera. Assim como Forlán, ele é o retrato da Alemanha: reúne oportunismo, velocidade, força e técnica. Com 20 anos, Müller entra para a história ao se tornar o segundo jogador mais jovem a marcar pelo menos cinco gols em uma Copa (Pelé, aos 17, marcou seis vezes em 1958). Sua marca mais espantosa, porém, é ter registrado 100% de aproveitamento de chutes certeiros nas metas adversárias. Mais por qualidade do que por coincidência, de cinco finalizações feitas todas se reverteram em cinco importantes gols.

Foto: Ina Fassbender/Reuters

Juliana de Brito

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O futebol é de toquezinho, mas o gol saiu na bola parada

Em uma seleção conhecida pelos toques bonitos, é óbvia a escolha de Xavier Hernández i Creus como destaque. No embate entre Espanha e Alemanha, Xavi causou delírio nos fãs (quem aprecia o futebol-arte é , e não torcedor) e exerceu a função imprescindível de ligar a defesa ao ataque. Saiu de seu pé o cruzamento de escanteio que resultou no cabeceio de Puyol, feito da classificação inédita à final. Xavi não deu nenhum chute a gol alemão, mas sempre tem aproveitamento de alto nível nos passes, lançamentos e cruzamentos. O criador da equipe de Vicente Del Bosque é o ponto de partida deste time faceiro. Articula jogadas que passam paralelas às firulas. E podem, muito além disso, ser configuradas e admitidas como inteligentes. Afora à Copa, Xavi ganha reconhecimento e credibilidade pelo raro fato de construir uma trajetória de onze anos em um único clube.

Foto: Clive Mason/Getty Images

Juliana de Brito

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Forlán é o grande jogador do Mundial, digo, Sneijder

Quando Wesley Benjamin Sneijder marcou um gol de cabeça contra o Brasil, já havia montado um acervo de bons motivos para ser o grande jogador da Copa e, além disso, merecer ser o Personagem do Dia. (Em ordem de importância crescente, estão a Bola de Ouro, da France Football, o título de melhor jogador do ano da Fifa – agora unificados – e, acima, o Personagem do Dia.) É o legítimo camisa 10: carrega e dá ritmo ao time. Divide a condição de craque com Robben. Com cinco gols marcados – um deles amofinado pelos cabelos de Felipe Melo –, o holandês foi decisivo. Não a toa, no site da Fifa foi eleito o melhor da partida por quatro vezes. Aos 26 anos, exibe um currículo apreciável, pois foi campeão nacional por todos os times que passou: Ajax (2004), Real Madrid (2008) e Inter de Milão (2010). No atual clube, aliás, é campeão de tudo que disputou. Ganhando ou não Copa do Mundo, Sneijder tem grandes chances, ao lado de Diego Forlán, de auferir a representativa Bola de Ouro, digna de seu futebol.

Foto: Flávio Florido/UOL

Juliana de Brito

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Tradução para Schweinsteiger: monstro

Foram tantos os destaques do dia que é quase injusto escolher um. Fanfarrão, o eliminado Maradona é um protagonista eterno. David Villa, o camisa sete da Espanha, é o goleador da Copa. Marcou o feito para a vitória diante do bravo Paraguai. Até mesmo o árbitro desta partida, Carlos Batres, merece uma menção por modificar a natureza pálida do jogo em algo emocionante. A goleada da Alemanha sobre a Argentina deu alta cotação para Özil, Klose e Mueller. Mas foi Bastian Schweinsteiger, outro camisa sete, quem regeu a ida pela décima-segunda vez do país às semifinais da Copa. Fez jogada para um gol, desarmou, driblou e lançou. Na ausência de Ballack, o jogador do Bayern de Munique é o maestro desta jovem equipe. O treinador alemão, Joachim Low, fez os elogios: “A cada ataque, ele ia junto com o time e uniu nossas linhas de ataque e defesa. Posso dizer que foi extraordinário nessa partida em todos os aspectos”.  Concordo e acrescento o adjetivo de monstro para Schweinsteiger.

Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Juliana de Brito

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O povo brasileiro e Robben dispensam suas vãs desculpas, Felipe

Poderia vomitar justificativas – e clichês – sobre a eliminação do Brasil, mas vou deixar isso para os velhos e espertos especialistas. É preciso exaltar o quanto essas primeiras partidas das quartas-de-final foram emocionantes. Gana x Uruguai tornou-se espetacular pela entrega das duas equipes. Suarez foi o retrato de dedicação. Foi providente seu toque com as mãos. Mais divino ainda foi o travessão. O que dizer então de El Loco Abreu? Irresponsável e safado, porém certeiro na sua cobrança de pênalti. Os uruguaios já merecem um capítulo à parte na história do Mundial. Voltando aos amigos de Robben, o grande destaque positivo, sem dúvidas, foi o pequeno Wesley Sneijder, com um gol marcado e outro oferecido ao volante brasileiro. Aliás, é dele, Felipe Melo, que gostaria de falar. Foi o Personagem do Dia porque será lembrado daqui a muitos anos pelos erros sobressaltados. Falhou nos gols holandeses e foi expulso ao gravar sua chuteira no adversário. Teve um momento atípico: o belo passe para o gol de Robinho.  Todo o resto que fez foi de uma previsibilidade madura e agourada. Por um momento, Felipe Melo esteve perto de desfazer todas as teses do mundo, mas escolheu ser o Felipe de sempre.

Foto: Laurence Griffiths/Getty Images

Juliana de Brito

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Uma grande defesa sempre será mais bonita que uma sobrancelha desenhada

Eis um perdedor entre os grandes personagens da Copa do Mundo. Mas, antes de apresentá-lo, não posso deixar de citar os outros protagonistas de Espanha x Portugal. Com posse de bola superior durante maior parte do tempo, os espanhóis marcaram seu gol em jogada iniciada por Iniesta, intermediada pelo calcanhar de Xavi e finalizada por David Villa (artilheiro da Copa ao lado de Vittek, Podolski e Higuaín). Cristiano Ronaldo destacou-se negativamente, ou só nos telões. Mesmo considerando a qualidade da equipe de Vicente del Bosque, Portugal, num todo, pouco correu pela vitória. A exceção foi o goleiro Eduardo dos Reis Carvalho: fez o possível e o incrível para evitar o revés. Esse foi o primeiro e último gol que o jogador do Sporting de Braga levou no Mundial. Foi imaculável frente à Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil. Demonstrou a preciosa característica de boa recolocação e capacidade de reflexo. O guarda-redes luso estreou na Seleção em 2009, mas, para alguns, já ultrapassa Cristiano Ronaldo no posto de ídolo. Uma boa definição dita por Reginaldo, colunista deste blog, sobre a atuação de Eduardo é que ele foi “o único português macho em campo”. É o choro sincero da eliminação que evidencia.

Foto: Getty Images

Juliana de Brito

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Te cuida, Brasil

Antes mesmo do Brasil confirmar sua classificação diante do Chile, surgiam, em forma de rumores, as projeções de um embate com a Holanda. A equipe de Dunga precisa bater um time que está com 100% de aproveitamento na Copa do Mundo, e não perde há 23 jogos. Esse é o motivo número um para desespero. O segundo é Arjen Robben, atacante do Bayern de Munique, que volta de lesão como se nada tivesse acontecido. Sneijder, com suas assistências e gols, também tem sido fundamental, é o cérebro. Soma-se a isso a presença do bom goleiro Stekelenburg e do imperioso Van Persie. E a defesa? Sofreu apenas dois gols em quatro jogos, ambos de pênalti. Mas Robben impressiona e amedronta pelo poder de decisão. Sua principal característica é disparar pela ponta-direita até o meio e chutar, de esquerda. Foi com essa eficiência que influenciou o resultado contra Camarões e diante da Eslováquia, nessa segunda-feira. Agora, ficamos com a incógnita: como será a marcação daquele guri, Michel Bastos, em cima de Robben?

Foto: Oleg Popov/Reuters

Juliana de Brito

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El Loco Tévez, el jugador del pueblo

Exceto pelos graves erros de arbitragem do dia, os grandes e esperados embates deste domingo colocam a Copa do Mundo em ascendência de qualidade e emoção. O futebol, afinal, deve superar o apito. Não se sabe o que seria se fosse diferente. No jogo contra o México, a Argentina teve predomínio por esporádicos momentos. Higuaín marcou um gol e disparou na artilharia, somando quatro feitos. Mas quem se tornou o protagonista foi Carlos Alberto Tevez, com duas colaborações, uma delas em impedimento. Porém, o crime foi do bandeirinha. Nem sempre inocente, Carlitos é de fácil persuasão para quem gosta obstinação: feio, agressivo, veloz, ágil e faz tudo pelo povo.

Foto: La Nacion

Juliana de Brito

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Dança Gyan, dança

A Copa do Mundo permite que os espectadores traiam suas escolhas jogo após jogo. Depois de admirar a raça e a superação dos norte-americanos, na partida contra Gana ninguém mais se importava com os EUA, nem com Donavan, que foi medíocre nesta abertura das oitavas-de-final. Um africano veloz e forte – qualidades que nem sempre conseguem coexistir – ganhou a torcida e apreciação de todos. O atacante Asamoah Gyan tornou-se herói da partida pela frieza do gol na prorrogação. Na corrida, ganhou de Demerit e Bocanegra e fuzilou o bom goleiro Howard. Kevin-Prince Boateng também foi destaque com a maestria de grandes jogadas. Jogador do Rennes, da França, Gyan é o maior artilheiro da púbere história de Gana em Copas do Mundo: quatro gols marcados, três deles nesta edição. Pelo marketing e pela caridade, gostei de ver a alegria de Gyan dançar, mas agora é contra o Uruguai e a torcida malandramente já reverte o lado.

Foto: Getty Images

Juliana de Brito

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