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Choram as Tchequetes. Chora o Tcheco

Desde sua primeira passagem pelo Grêmio, de 2006 a 2007, Anderson Simas Luciano, o Tcheco, coleciona carinho e ódio da torcida. Reconhecido como líder da equipe na campanha que levou ao segundo lugar na Libertadores da América de 2007, Tcheco sai sem arrancar muitos lamentos devido a temporada apagada. Quanto às lamúrias, faço uma ressalva, pois não é possível esquecer-se das Tchequetes, grupo de torcedores – principalmente garotas – que acreditam nas qualidades visivelmente já esvaecidas do jogador. Agora, seu destino provável é o Corinthians de Mano Menezes. E, se depender de Tcheco, não será em 2010 que o Timão conquistará o título inédito.

Admito que é perigosa esta minha última afirmação. Afinal, futebol é imprevisível e, por isso, não se pode ter ideias tão definitivas. Mas, com as minhas convicções e meu eterno amor e ódio ao jogador, elencarei os motivos que me levam a esta conclusão. E a primeira, por incrível que pareça, não é culpa dele: se Tcheco for a principal opção de armador para a equipe de Mano – e a direção corinthiana realmente tenha desistido de Riquelme – a tendência é que tudo desande. Tcheco precisa ter, no mínimo, três jogadores a sua volta que carreguem grandes qualidades, como serenidade, habilidade e velocidade, porque ele não é provido destas.

Incorporado no papel de capitão do Grêmio, Tcheco sempre ousou desafiar a arbitragem como se isso fosse de direito. Além do mais, a habitual atitude de segurar a bola toda vez que tocado irritava até torcedores do Grêmio. Essa não é uma característica que possa ser intitulada de esperteza ou malandragem, e sim de burrice. Não que Tcheco seja burro. Mas não é este tipo de ação que se espera de um líder de grupo. Reitero: Tcheco, muito pelo contrário, não é burro. Tem caráter e inteligência, sabe responder à imprensa e cativar o torcedor. Seu problema é de comportamento dentro de campo no melhor momento de uma partida de futebol: o da definição.

Aos 33 anos, não é possível apontar para um ápice na carreira de Tcheco, tanto que no clube que mais atuou (o Grêmio) seus únicos títulos foram dois regionais. Especialmente neste ano, muitos avaliam seu futebol como de um ex-jogador. Como articulador, pouco colaborou com o Tricolor na pífia campanha de 2009. No Brasileirão, o grande número de cartões (11 amarelos), sendo a maioria por reclamação, somado ao fraco desempenho desencadeou em mais cobranças da torcida, do técnico e da direção. Dispensável, só não saía da equipe com mais frequência por falta de opção. Já no fim do campeonato, desaponta o meia-atacante Douglas Costa. E talvez o este também tenha sido um dos fatores para a saída do ex-capitão.

A Era Tcheco já acabou há muito tempo. Porém, só agora, em comum acordo entre direção e jogador, resolveu-se concretizar o fim. Vai embora sem escrever com títulos sua história no Grêmio. O próprio admitiu frustração por não ter conquistado campeonatos de maior visibilidade. Em seus discursos, obviamente, nunca aceitou o papel de indiferente: “Já fechei o pau dentro do vestiário por causa de derrotas e ninguém ficou sabendo”. Pelos resultados, nem imaginamos este tipo de atitude mesmo. Apesar de tudo, cabe isentar Tcheco da culpa total desta apatia, falta de tempero e ausência de ambição que lhe tem sido atribuída. Por fim, é preciso agradecer: obrigada e boa sorte.

Um vídeo que mostra por que a adoração da torcida pelo jogador ultrapassa a alegria dos gols marcados:

Juliana de Brito

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