Desde 2005, a cada final de novembro os torcedores gremistas relembram do mormaço do dia 26 daquele ano. Grêmio x Náutico, Estádio Eládio de Barros Carvalho, ou o palco de todos os aflitos. Ademar, Galatto, Andershow, Mano Menezes, Odone, Djalma Beltrami.

Uma temporada na segunda divisão deixa qualquer torcedor com o orgulho um tanto ferido. Mas há aspectos e lições do futebol que só são aprendidas diante das dificuldades da verba reduzida, dos estádios precários, da arbitragem desqualificada e, ainda por cima, da corneta diária da torcida adversária. É disso que se constitui o futebol e, principalmente, são estes ingredientes que compõe a rotina de quem está na série B.
Nesta escola da vida chamada SEGUNDONA, espera-se que os alunos mais dedicados sejam os cartolas. São eles que precisam reerguer financeira e moralmente uma entidade, geralmente centenária, no caso dos grandes clubes que experimentam as amarguras desta condição. Os marqueteiros também devem se aproveitar do momento para reconquistar o torcedor – e seu dinheiro. São essenciais as chamadas ações de comunicação em momentos de crise, seja lá o que for isso.
Quatro anos depois do recesso à elite (?) do futebol brasileiro, muitos questionam o que o Grêmio tem a comemorar nesta data. É importante também refletir o que mudou de lá para cá. Uma nova diretoria, o projeto para a Arena, o crescimento do quadro social, duas disputas na Libertadores da América, dois títulos regionais e participações vergonhosas na Copa do Brasil e Sul-Americana. Resumidamente, estes são os resultados finais no futebol, mas tem também o saldo financeiro, do qual esporadicamente temos acesso e não sabemos de sua total transparência.
Fato é que o Grêmio soube se levantar, crescer. Porém, ainda não montou nenhuma equipe efetiva, que conseguisse títulos. Não fez nada que a torcida possa comemorar na Avenida Goethe, como foi naquele início de noite. A preocupação atual é não repetir os mesmos erros do início do século, tendência que se desenha conforme as decisões e especulações dos atuais dirigentes tricolores. No dia 26 de novembro, os gremistas só têm a festejar as lições aprendidas. E também a tensão à flor da pele e o sangue nos olhos que só o futebol de segundo nível é capaz de abrolhar.
(Re)Veja do que estou falando no vídeo:
Juliana de Brito