Há bem pouco tempo, se ouviam gritos consistentes e irrefutáveis de exaltação ao melhor goleiro do Grêmio nos últimos anos. “Ão, ão, ão, Victor é Seleção”, arriscavam muitos; “Fica, Victor”, imploravam outros. E por toda a dita coerência do técnico do escrete brasileiro, uma das poucas surpresas na convocação foi a ausência do nome de Victor Leandro Bagy na lista.

Grêmio levou 12 gols nos últimos quatro jogos
Muito lembrado por suas grandes defesas e inteligência acima da média de outros profissionais da grande área, Victor agora é questionado. Pairam sobre as traves do defensor suspeitas sobre a capacidade de passar por momentos de pressão. Talvez coincidentemente, uma fase ruim em campo – natural de qualquer grande jogador – surja justamente quando Dunga o pretere. Ou, como muito se tem cogitado, ao contrário: Victor falha quando não se conforma com a não convocação.
É tão esporádico o erro que, quando acontece, automaticamente, inicia-se um debate sobre a real dificuldade da jogada e o real talento de Victor. A inutilidade dessa discussão está no fato de que são apenas suposições. Não ousaria duvidar da qualidade de Victor. O Brasil viu por mais de dois anos grandes atuações do goleiro. Uma prova muito maior do que estes pequenos fragmentos de atuações ruins, de falhas estranhas.

Victor já falhou em clássico. Mas pergunto: se não fosse Victor, onde estaria o Grêmio?
O problema é que a imprecisão de Victor tem se instalado em jogos de maior importância, como Grenais e partidas de mata-mata. Alguns levantam a hipótese que a braçadeira atrapalha o goleiro gremista. Ele necessita fazer as funções de capitão e goleiro. Contestar a arbitragem, gritar, acordar e orientar o time e, ao mesmo tempo, ser o maior responsável por não deixar a bola entrar é muito para um único jogador – ou, talvez, é demais para Victor.
Aí, Silas erra. O camisa 1 é o líder do grupo, um dos poucos que resistiu às mudanças e, como já dito, tem inteligência. Mas o bom capitão precisa se multiplicar em campo e o arqueiro tem apenas se dividido. Acaba por se atrapalhar com o peso dos encargos. Faz uma das funções bem e outra não. Ou peca nas duas. Soma-se a tudo isso a constatação de ser o ídolo da torcida.
No atual grupo do Grêmio, ser idolatrado é uma exclusividade de Victor. Isso deve potencializar a restauração da muralha. Aliás, nunca faltou incentivo e carinho para Victor. A vontade de um dia representar o país como titular e a ânsia por taças devem ser os motivadores de qualquer jogador. O goleiro tricolor precisa estagnar as críticas com a frieza dos grandes, com o trabalho esmagador que sempre fez. Para não encobrir sua capacidade, seu talento e sua qualidade, Victor precisa abandonar a braçadeira.
Fotos: Diego Vara/ClicEsportes
Juliana de Brito
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