Todos sabem que o maior problema com Carlos Caetano Bledorn Verri sempre foi a falta de conhecimento sobre sua aptidão (ou não) para ser treinador de futebol. Nada se sabia além do Dunga volante, dividido em Eras. Isto é, dizer que ele fez escolhas coerentes parecia uma contradição, exceto depois da gestação da Família Dunga. O que não é o caso – e também já é uma vantagem – de profissionais com experiências clubísticas no comando do selecionado.
Mano Menezes fez um rastro bonito, e por isso tem seus rótulos e predisposições. Alguns juízos (o uso do 4-2-3-1 e a eleição de um bruxo nos grupos) do PASSOBRADENSE logo nos levam a pensar projeções (e até piadas) sobre como se formará a equipe do projeto hexa 2014. Tudo isso a partir do histórico do treinador (algo que Dunga não tinha). A primeira convocação serve para se formar ideias que possivelmente serão arrasadas na hora do vamô-vê. Tomando como base a primeira vez de Dunga, a lista de Mano é alentadora.
Afora o turismo, os primeiros seis amistosos que devem acontecer este ano não nos contarão muita história. Portanto, espero que o novo técnico aproveite bem os próximos passeios. A Família Menezes só mostrará sua alma (ou falta de) quando o jogo for concreto, valendo taça e dinheiro aos cofres da CBF. Além do mais, 2014 NÃO é logo ali e qualquer coisa que for dita agora poderá ser usada contra você no Mundial do Brasil.
Minha escalação a partir dos convocados: Victor; Daniel Alves, Réver, Thiago Silva e André Santos; Lucas, Sandro, Ramires e Ganso; JONAS (ops!) e Pato.
Desde 2005, a cada final de novembro os torcedores gremistas relembram do mormaço do dia 26 daquele ano. Grêmio x Náutico, Estádio Eládio de Barros Carvalho, ou o palco de todos os aflitos. Ademar, Galatto, Andershow, Mano Menezes, Odone, Djalma Beltrami.
Uma temporada na segunda divisão deixa qualquer torcedor com o orgulho um tanto ferido. Mas há aspectos e lições do futebol que só são aprendidas diante das dificuldades da verba reduzida, dos estádios precários, da arbitragem desqualificada e, ainda por cima, da corneta diária da torcida adversária. É disso que se constitui o futebol e, principalmente, são estes ingredientes que compõe a rotina de quem está na série B.
Nesta escola da vida chamada SEGUNDONA, espera-se que os alunos mais dedicados sejam os cartolas. São eles que precisam reerguer financeira e moralmente uma entidade, geralmente centenária, no caso dos grandes clubes que experimentam as amarguras desta condição. Os marqueteiros também devem se aproveitar do momento para reconquistar o torcedor – e seu dinheiro. São essenciais as chamadas ações de comunicação em momentos de crise, seja lá o que for isso.
Quatro anos depois do recesso à elite (?) do futebol brasileiro, muitos questionam o que o Grêmio tem a comemorar nesta data. É importante também refletir o que mudou de lá para cá. Uma nova diretoria, o projeto para a Arena, o crescimento do quadro social, duas disputas na Libertadores da América, dois títulos regionais e participações vergonhosas na Copa do Brasil e Sul-Americana. Resumidamente, estes são os resultados finais no futebol, mas tem também o saldo financeiro, do qual esporadicamente temos acesso e não sabemos de sua total transparência.
Fato é que o Grêmio soube se levantar, crescer. Porém, ainda não montou nenhuma equipe efetiva, que conseguisse títulos. Não fez nada que a torcida possa comemorar na Avenida Goethe, como foi naquele início de noite. A preocupação atual é não repetir os mesmos erros do início do século, tendência que se desenha conforme as decisões e especulações dos atuais dirigentes tricolores. No dia 26 de novembro, os gremistas só têm a festejar as lições aprendidas. E também a tensão à flor da pele e o sangue nos olhos que só o futebol de segundo nível é capaz de abrolhar.
(Re)Veja do que estou falando no vídeo:
Desde sua primeira passagem pelo Grêmio, de 2006 a 2007, Anderson Simas Luciano, o Tcheco, coleciona carinho e ódio da torcida. Reconhecido como líder da equipe na campanha que levou ao segundo lugar na Libertadores da América de 2007, Tcheco sai sem arrancar muitos lamentos devido a temporada apagada. Quanto às lamúrias, faço uma ressalva, pois não é possível esquecer-se das Tchequetes, grupo de torcedores – principalmente garotas – que acreditam nas qualidades visivelmente já esvaecidas do jogador. Agora, seu destino provável é o Corinthians de Mano Menezes. E, se depender de Tcheco, não será em 2010 que o Timão conquistará o título inédito.
Admito que é perigosa esta minha última afirmação. Afinal, futebol é imprevisível e, por isso, não se pode ter ideias tão definitivas. Mas, com as minhas convicções e meu eterno amor e ódio ao jogador, elencarei os motivos que me levam a esta conclusão. E a primeira, por incrível que pareça, não é culpa dele: se Tcheco for a principal opção de armador para a equipe de Mano – e a direção corinthiana realmente tenha desistido de Riquelme – a tendência é que tudo desande. Tcheco precisa ter, no mínimo, três jogadores a sua volta que carreguem grandes qualidades, como serenidade, habilidade e velocidade, porque ele não é provido destas.
Incorporado no papel de capitão do Grêmio, Tcheco sempre ousou desafiar a arbitragem como se isso fosse de direito. Além do mais, a habitual atitude de segurar a bola toda vez que tocado irritava até torcedores do Grêmio. Essa não é uma característica que possa ser intitulada de esperteza ou malandragem, e sim de burrice. Não que Tcheco seja burro. Mas não é este tipo de ação que se espera de um líder de grupo. Reitero: Tcheco, muito pelo contrário, não é burro. Tem caráter e inteligência, sabe responder à imprensa e cativar o torcedor. Seu problema é de comportamento dentro de campo no melhor momento de uma partida de futebol: o da definição.
Aos 33 anos, não é possível apontar para um ápice na carreira de Tcheco, tanto que no clube que mais atuou (o Grêmio) seus únicos títulos foram dois regionais. Especialmente neste ano, muitos avaliam seu futebol como de um ex-jogador. Como articulador, pouco colaborou com o Tricolor na pífia campanha de 2009. No Brasileirão, o grande número de cartões (11 amarelos), sendo a maioria por reclamação, somado ao fraco desempenho desencadeou em mais cobranças da torcida, do técnico e da direção. Dispensável, só não saía da equipe com mais frequência por falta de opção. Já no fim do campeonato, desaponta o meia-atacante Douglas Costa. E talvez o este também tenha sido um dos fatores para a saída do ex-capitão.
A Era Tcheco já acabou há muito tempo. Porém, só agora, em comum acordo entre direção e jogador, resolveu-se concretizar o fim. Vai embora sem escrever com títulos sua história no Grêmio. O próprio admitiu frustração por não ter conquistado campeonatos de maior visibilidade. Em seus discursos, obviamente, nunca aceitou o papel de indiferente: “Já fechei o pau dentro do vestiário por causa de derrotas e ninguém ficou sabendo”. Pelos resultados, nem imaginamos este tipo de atitude mesmo. Apesar de tudo, cabe isentar Tcheco da culpa total desta apatia, falta de tempero e ausência de ambição que lhe tem sido atribuída. Por fim, é preciso agradecer: obrigada e boa sorte.
Um vídeo que mostra por que a adoração da torcida pelo jogador ultrapassa a alegria dos gols marcados:
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