Não foi o primeiro que tentou e não conseguiu. O maior de todos não fez e o maior de todos (dentre os volantes) quase fez. O zagueiro mais habilidoso do Grêmio poderia ter mudado a história da partida contra o Junior de Barranquillia – e a sua própria história – caso tivesse por centímetros acertado aquele chute metros antes do meio-campo adversário. Não ousaria recorrer à Física para explicar. Nem tentaria saber quantos centímetros faltaram para que a bola se abrigasse na rede de Rodriguez. Ela quicou na cara da goleira e subiu sutil e tristemente na linha de fundo, abraçada ao acaso.
Seria o lance do jogo, o lance da rodada. Mas não. Na memória do futebol, aquilo que não se concretiza torna-se desimportante, não faz diferença. Semana que vem, não se falará mais na tentativa frustrada da perna esquerda de Rodolfo. Perdoamos, afinal, o capricho que faltou é muito menor do que o capricho usado pelo zagueiro. E o Homem de Gelo ainda tem coisas mais incríveis para realizar pelo Grêmio, mesmo que não sejam gols históricos, pinturas do esporte. Dele, espera-se um desarme que evite, por pouco, que qualquer outro lance como o seu torne-se real.
Este post inaugura a seção “E se…”, inspirado no texto “O que poderia ter sido”, de Marcos Caetano. Leia aqui sobre a proposta da coluna e sugira momentos mágicos que seriam diferentes SE não ficassem no quase.